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Palavras para 2012

Palavras para 2012

Eu queria ter começado o ano com esse post, mas infelizmente não foi possível.

Mas antes tarde do que nunca, né?

Minhas palavras para 2012 são: Compaixão, Reciprocidade, Tolerância e Respeito.

Confesso que desde que eu comecei a pensar nesse post, passei por tantas coisas, que me fizeram questionar se algum dia seria possível que essas palavras tão simples, mas de conteúdo tão imenso, um dia voltassem a fazer parte do caráter do ser humano.

Já reparou como que as pessoas que mais pedem por um mundo melhor, que mais criticam e reclamam do egoísmo dos outros, são as primeiras a agirem da forma que mais odeiam?

Veja este exemplo: com certeza um dia você estava com pressa de ir a algum lugar e ficou pê da vida porque um folgado parou em fila dupla na rua, travando o trânsito. Mas com certeza, um dia você também achou que não teria nada de mais aqueles 5 minutinhos parado em local proibido, só pra ir ali pegar uma coisinha. Afinal, todo mundo faz, não é mesmo? E quem não gostou que se dane. Mas vamos combinar: que um cretino parado em fila dupla atrapalha a vida de um monte de gente, atrapalha, não é mesmo? Então, porque é que quando é para você e o seu benefício vale, e para o benefício dos outros não?

Conheço uma pessoa que era contra o PT. Mas depois que a trupe do partido aprovou a Lei de Cotas, a pessoa começou a achar o máximo, e agora defende o partido com unhas e dentes, afinal está sebeneficiando dessa Lei para fazer o que não conseguiu com o seu próprio esforço. Não importa se a Lei de Cotas afirma de forma disfarçada que a raça negra é incapaz de estudar, aprender e entrar em uma faculdade pública, e que com isso estaria tirando indevidamente a vaga de um cidadão que estudou pra caramba, seja em escola pública ou particular – o que interessa é conseguir tudo na moleza. Mas eu tenho certeza que se fosse o inverso, se ela tivesse ralado pra caramba pra estudar, ou tivesse deixado de comer pra pagar o cursinho pra filha e outra pessoa pegasse a vaga que seria dela, ela não iria gostar nadinha.

Estava hoje em uma loja, vendo objetos em uma gôndola, e uma mulher chegou do nada, me pressionando para sair de lá, porque ela queria pegar um produto. Ela não se importou se eu estava ali antes, se também estava querendo pegar algum produto… Ela simplesmente se enfiou entre eu e a prateleira, dizendo “Oi, tudo bem?”, e se colocou na minha frente. Virei as costas e fui embora. Quando estava na fila única do caixa reconheço a mesma imbecil cortando a fila, indo falar com a moça do caixa, inventando a desculpa de que estava pedindo informações. E você pensa que depois de tirar as dúvidas ela voltou para o fim da fila? Claro que não! Ela ficou parada ali do lado da pessoa que estava sendo atendida, para ser a próxima. Não tive dúvidas: fui atrás da moça que estava sendo atendida no balcão e é claro que a folgada já veio querer bater papo, pra disfarçar a cara de pau, dizendo “Ai, eu tinha que perguntar, né?” e eu respondi: “É. Mas EU estava na fila antes”. E coloquei minhas compras em cima do balcão. Ela, ainda se achando no direito do que estava fazendo, disse: “Ai, tudo bem, pode passar…”. Calma lá! Eu POSSO passar? Minha filha, será que você não sabe o que é FILA? Ou você é boa demais para ficar em pé esperando a sua vez? Só os outros devem seguir as regras e esperar a vez, você não. Você pode tudo. O mundo gira em torno de você.

É por essas e outras que Compaixão, Reciprocidade, Tolerância e Respeito são palavras utópicas, provenientes de grandes contos de fadas, e que ha muito tempo já não fazem mais parte da vida das pessoas.

As pessoas que ainda clamam por elas são meras saudosistas, como dos tempos de “outrora”, do tempo “em que era bom”.

Hoje é “cada um por si, e eu melhor do que todos, nem que eu tenha que matar para ser a primeira”.

Triste constatação do universo de um homem só.

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Eu não quero viver num mundo sem amor

Take a Sit

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Tenha educação!

Educação

Muito se fala de educação pra cá, educação pra lá… Na minha opinião, a educação que o brasileiro mais carece não é aquela que se aprende na escola, mas sim a que começa dentro de casa.

Ao voltarmos de uma viagem ao exterior é que percebemos como o brasileiro é mal educado. O mais absurdo é que quando ele está no exterior age de forma civilizada. Mas no seu próprio País faz questão de ser porco e selvagem. E ainda por cima reclama do terceiro mundo!

A coisa piora nesta época do ano, quando as pessoas parecem ensandecias ao fazerem as compras de Natal. É mãe gritando com criança daqui, criança correndo e empurrando as pessoas de lá… Ninguém presta atenção nos outros à volta. Um simples passeio no shopping pode se tornar o pior programa a ser feito.

Aconteceu comigo na semana passada: fomos no Shopping Iguatemi em Campinas. Era feriado em várias cidades do interior de SP. Por conta disso, parece que o mundo resolveu se enfiar no shopping. Até aí tudo bem. O problema é enfrentar os chatos mau educados…

Ao entrarmos na atração de Natal, que era uma espécie de floresta encantada do Papai Noel, já nos deparamos com crianças correndo desembestadas, e pais que pouco se lixam se elas estão trombando com outras pessoas ou não. Se você quer ter filhos, eduque-os. Se eles não têm capacidade de visitar locais públicos de forma civilizada, então deixe-os em casa com uma babá, ou fique cuidando deles até que eles possam fazer parte da sociedade. Mas nunca, de forma alguma, deixe seus filhos soltos, como animais selvagens, em locais públicos. Lembrem-se que os outros não são obrigados a agüentar os gritos, as correrias, as trombadas.

Ainda nessa atração, via-se de tudo: pessoas que passavam na sua frente quando você ia tirar uma foto, ou então que se plantavam na sua frente, quando você estava olhando a decoração. Já alguns pais conscienciosos, não deixavam os filhos sequer tocarem nos brinquedos. Mas o mais espantoso de tudo foi uma mãe que esperou as ajudantes do Papai Noel, que estavam tomando conta da balbúrdia, darem uma bobeada, e colocou a filha dela – portadora de Síndrome de Down – dentro do cenário da atração, para tirar uma foto. Ela fez a criança pular a corda e ficar na frente de uma casinha, que não faria diferença nenhuma se ela estivesse do lado de fora da corda, local permitido pelo público. Imediatamente a moça veio pedir que ela retirasse a criança do cenário, e ela teve a CAPACIDADE de dizer: “Só um instante, vou só tirar essa foto e já tiro ela de lá”. Mas que petulância! A moça foi muito pacienciosa (eu não seria!), aguardou a fanfarrona fazer tudo o que queria, pegar a criança no colo, retirá-la de lá, e ainda ouvir: “Viu? Nem deu tempo de você chegar aqui…”. Juro: eu chamava os seguranças, retirava essa pessoa do shopping, e ainda fazia apagar a foto. O que uma mãe dessas está ensinando sua filha, com uma atitude dessas, é que ela não é IGUAL a todas as demais crianças, mas sim que ela é SUPERIOR a todas elas. Que por ter necessidades especiais ela precisa sim ser tratada com diferença, e não de forma igual às demais. Que beleza, heim?

Mas calma, ainda não acabou… Almoçamos em um restaurante que tem espaço próprio de refeição. Quando chegamos – tentando fugir da loucura da praça de alimentação, apesar do horário, ainda não tinha quase ninguém, então pudemos escolher qualquer mesa. É uma lanchonete estilo anos 50. Claro que todo mundo quer sentar nas mesas que possuem sofá, ao invés de cadeiras. Tivemos um almoço delicioso, um atendimento fantástico. Quando meu marido pediu a conta, fui ao toalete do próprio restaurante. Na volta, haviam quatro cocotas sentadas na mesa da frente. Ao chegar na minha mesa, meu marido pediu que eu preenchesse o questionário de avaliação de satisfação. Temos a seguinte regra: quando é pra reclamar, a gente reclama. Mas quando é pra elogiar, a gente elogia. Ao sentar na mesa pra começar a preencher o questionário, fui avisada pelas quatro cocotas que eu não poderia me sentar ali, porque aquela mesa era delas. Hã? Olharam feio, fizeram um monte de sinais, e exigiram que eu saísse dali. Olhei para o meu marido sem entender, e nem ele estava entendendo. Deixei as cocotas falando sozinhas e fui preenchendo o questionário. Mas elas, insistentes, continuaram chamando a minha atenção e pressionando pra que eu saísse da mesa, dizendo que elas estavam esperando para sentar ali. Então eu disse: “Então continuem esperando, pois eu ainda não acabei de utilizar a minha mesa”. Aí elas se tocaram e disseram: “Você está com ele?”. Respondi: “Ele é meu marido, algum problema?”. Ficaram com cara de bunda e pararam de reclamar. Mas pedir desculpas, que é bom, necas. Mas a cada movimento que eu fazia na mesa, elas ficavam lançando aquele olhar fulminante, pra ver quanto tempo mais eu iria demorar ali. No fim, quando nos levantamos para ir embora, a recepcionista levou as cocotas pra outra mesa. Ao passarem do nosso lado, eu disse pro meu marido: “Cuidado, saia logo, se não a veia é capaz de sentar no seu colo!”. Então eu me pergunto: pra que que existe sala de espera? Pra que colocar um grupo de pessoas pra esperar por uma mesa ao lado das pessoas que ainda a estão usando, e ainda por cima, ocupando uma mesa que outras pessoas poderiam usar? Um almoço tão fantástico com um final de embrulhar o estômago.

Descer a escada rolante para ir embora também foi um fiasco: quando estava colocando a mão no corrimão, uma senhora cortou a minha frente. A filha dela, quem diria, parou, me dando passagem. Já estava estressada com o que aconteceu no restaurante, soltei: “Pode ir, flor. A sua mãe já me atropelou mesmo, não vou separar a família”. E você acha que a mãe percebeu o que estava acontecendo? Já estava na metade do percurso quando a filha começou a descer as escadas.

Não adianta! O Brasil pode crescer economicamente, pode dar maior poder de compra às classes mais baixas, pode proporcionar escola, moradia, bolsa de mil coisas e o diabo à quatro. Mas enquanto as pessoas continuarem a ser mal educadas (independente da classe sócio-econômica), continuaremos sendo um País de selvagens.

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