Bloggers Bleggers Blum!

Tem dias que eu tô bloggers daí aparece uns bleggers e eu fico blum mesmo!

A contradição das aulas síncronas – parte 2

Na parte 1 mencionei que resolvi mudar meu filho de escola no meio da pandemia, pois a escola em que ele estudava se recusava a fazer aulas síncronas.

Antes de tomar essa decisão, pesquisei muito sobre a experiência de outros pais, incluindo amigos meus, com relação ao EAD, pois meu filho estava começando o primeiro ano do fundamental 1, ou seja, estava no meio do processo de alfabetização e eu tinha dúvidas se ele conseguiria avançar neste processo de forma online, ainda mais com o método de ensino da escola anterior, que era extremamente lento, e todas as crianças que saíram de lá precisaram de aulas de reforço, pois estavam tão atrasadas, que não conseguiam acompanhar a turma da escola nova. Aproveitei, então, para no mês de abril, quando foi feito o adiantamento das férias de julho, pegar pesado todos os dias e fazer com que meu filho conseguisse, pelo menos, formar uma palavra, pois ele ainda encontrava-se na fase silábica. Mesmo sem ser pedagoga ou ter qualquer estudo ou experiência na área, me empenhei e consegui fazer meu filho escrever e começar a ler, mesmo que devagar.

No mês de maio, quando houve a decisão da mudança, os relatos de experiência com as aulas síncronas foram fundamentais para nossa escolha da escola, além, evidentemente, do valor da mensalidade, pois nosso orçamento estava seriamente comprometido.

Escolhida a escola, fomos extremamente bem recebidos e acolhidos, tanto nós, pais, quanto meu filho, que mesmo sem conhecer pessoalmente os colegas e os professores, ele foi tão bem recebido, que parecia que já estudava lá há anos. Isto foi fundamental para o sucesso das aulas síncronas. A empolgação e a curiosidade foram tão grandes, que ele está sempre motivado e nunca se indispôs a participar de nenhuma aula.

No começo era maravilhoso! A organização era perfeita: toda semana, na sexta feira, antes do almoço, recebíamos por e-mail um cronograma com tudo o que era necessário para a semana seguinte, assim tínhamos tempo de providenciar o que fosse necessário para o sucesso das aulas.

Mas ali já conseguimos notar algumas particularidades: a impressão é que cada professor mandava para alguma pessoa o seu cronograma e essa pessoa juntava tudo numa tabela e enviava. Cada professor tem o seu próprio jeito próprio de se expressar e de registrar sua parte do cronograma, então sabe aquele meme, que remete aos tempos de escola, do: “cada um faz a sua parte do trabalho e a hora a gente junta tudo”? É exatamente assim esse cronograma: tem o professor que é caprichoso e detalhista, tem o professor curto e grosso, tem o professor que escreve uma frase inteira gigante, sem dividí-la, tem professor que faz tudo de uma cor só, tem professor que destaca tanta coisa com o marca texto do word, que fica até difícil de ler e assim por diante. Não existe uma padronização, mas isso é o de menos. O importante é ter com antecedência a descrição do que será dado durante a semana, para já deixarmos tudo o mais ajeitado possível para as crianças terem a sua autonomia durante a aula, sem interferência dos familiares ou responsáveis.

A plataforma da escola é fantástica! Foi eleita a melhor plataforma de ensino do Brasil. Que orgulho! O que é legal em se usar uma plataforma de educação, e não apenas aplicativos de vídeo conferências e diretórios de armazenagem em nuvem, é que ele é pensado tanto para a escola, quanto para o aluno. Assim, a plataforma disponibiliza ferramentas que permitem organização e lembretes de aulas e tarefas. Entrando na plataforma tem o link para as aulas digitais, que são realizadas no Google Meeting. Os professores gravam as aulas e depois hospedam no Google Drive. Depois disso enviam o link da aula dentro da plataforma, que para os alunos vem em forma de alerta, e que muda de status depois que é aberto e lido. Tudo bonitinho, rodando redondinho! Desta forma eu conseguia fazer todas as minhas obrigações diárias, acompanhar meu filho nas aulas síncronas e ainda ter, nesta forma de alerta, um controle do que ainda faltava fazer. Um sonho! Uma maravilha!

ERA bonitinho. RODAVA redondinho. ERA um sonho. ERA uma maravilha. Já chegarei lá.

Quando chegou na parte das avaliações a coisa começou a ficar um pouco confusa, pois como não existe um padrão e cada professor tem o seu próprio jeito e forma de requerer essa avaliação. 11 matérias viraram simplesmente um bolo desgovernado de explicações e prazos mal divulgados. E como éramos novos na escola, para nós foi mais penoso, mas sobrevivemos a isso com muito empenho e dedicação, sem reclamar, pois foi exatamente em busca deste conteúdo, desta modalidade, que optamos pela troca de escola.

Passada essa primeira fase de adaptação, tudo continuou seguindo seu curso.

É importante lembrarmos que a Internet no Brasil é péssima. É claro que complicações técnicas são inevitáveis: plataforma instável, google meeting sobrecarregado, conexão de internet caída, falta de energia elétrica… E nem a escola nem os professores devem ser responsabilizados por isso. São coisas que acontecem e temos que ser compreensivos e tolerantes.

Mas existe uma grande diferença entre problemas técnicos e interesse em manter o equilíbrio entre o que é prático e funcional para os pais e para os professores.

Continua no próximo post.

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A contradição das aulas síncronas – parte 1

Passados 5 meses desde o início da quarentena e 4 de aulas síncronas, consegui fazer um balanço sobre todo esse processo.

Primeiro vou relembrar que mudei meu filho de escola em maio deste ano, no meio da pandemia, simplesmente porque a escola onde ele estudava se recusava a fazer aulas síncronas ou disponibilizar qualquer tipo de ferramenta para aplicação de conteúdo, limitando-se a adiantar todas as férias e feriados possíveis e existentes neste e nos próximos anos, pois afirmava não abrir mão das aulas presenciais, nem que para isso, quando tudo retornasse, os alunos tivessem que ficar uma hora a mais na escola, incluindo os sábados. A verdade é que nunca houve e ainda não há estimativa de quando e de que forma as aulas presenciais irão retornar. Qualquer escola que fez projeção sobre prazos, datas e protocolos equivocou-se barbaramente.

As escolas particulares se viram num beco sem saída, pois muitos pais perderam o emprego ou tiveram seus salários reduzidos, e começaram a exigir descontos nas mensalidades, que posteriormente foi assegurado a princípio pelo Procon do Estado de SP e agora também a justiça passou a obrigar as instituições a darem descontos de pelo menos 30%, visto que o estabelecimento fechado tem, no mínimo, redução dos custos de água e luz e os mesmos devem ser repassados aos pais.

Mas as escolas particulares não quiseram sequer conversar e acabaram perdendo alunos ou para escolas mais baratas, ou até mesmo para as escolas públicas. Preocupadas com isso, ao invés de negociar com os pais, preferiram, através do Sindicato, pressionar o Governo do Estado a liberar a volta das aulas presenciais a todo custo, sem pensar que um aluno assintomático pode infectar uma família inteira, além de provocar mortes, mesmo que o índice de letalidade seja menor em crianças, as escolas e sindicatos parecem se esquecer que toda criança depende de uma família, e sem a família, além de não ter pagamento de mensalidade, a criança fica órfã. A questão é: vale a pena as escolas, por causa de 30% de desconto de mensalidade, serem responsáveis pelo genocídio? Não é tão simples dizer: “meu filho não volta pra escola este ano, mesmo que repita”, pois se a obrigatoriedade da aula presencial for novamente decretada e a criança não comparecer, configurará como crime de abandono intelectual, podendo acarretar, inclusive, em perda da guarda da criança. Mas, e se as escolas particulares e sindicatos fossem obrigados a assinar um termo de responsabilidade civil e criminal sobre infecção de covid-19 nos alunos e suas respectivas famílias, será que eles iriam preferir dar os 30% de desconto e apoiar os pais na decisão do retorno só ocorrer quando houver vacinação em massa, ou iriam preferir serem réus em grandes e custosos processos? Indenizações não trarão vidas de voltas, mas aparentemente 30% vale mais do que muitas vidas.

Diante desta queda de braço e o constante adiamento da volta presencial das aulas, até as escolas mais resistentes e desorganizadas tiveram que se render às aulas síncronas.

Está valendo a pena? As crianças estão mesmo aprendendo alguma coisa?

Continua no próximo post.

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E lá se foram três meses…

Parece difícil de acreditar que já estamos há 3 meses em isolamento social. Às vezes parece que já faz mil anos!

Os casos na cidade onde eu moro (Indaiatuba) só têm aumentado, as mortes idem, um verdadeiro caos. E é bem no meio disso tudo que o Governador e o Prefeito decidiram sucumbir à pressão de empresários e reabrir o comércio. Bom, reabrir é modo de dizer, pois aqui em Indaiatuba, tirando escolas, alguns escritórios e restaurantes, praticamente tudo estava aberto, só mudando a aglomeração de dentro das lojas para as calçadas. Nem todos têm usado máscaras, embora agora seja Lei em todo o Território, ou então usam de forma errada, mas quem segura o ser humano que tem necessidade de saracotear por aí, sem acreditar na gravidade deste vírus, desta pandemia?

Os que ontem choravam e berravam aos quatro cantos que estavam morrendo de fome, ressuscitaram para comprar “bruzinhas” no primeiro dia de reabertura do comércio. O povo quer é sair, badalar, farrear, se divertir. O problema não era deixar de trabalhar, era deixar de ir pra balada, pro bar, pros rolês, pras lojas, comprar o que não precisa, mas porque precisa gastar.

Em contra partida o número de assintomáticos aumentou drasticamente. Muita gente contaminando outras sem saber, e na maioria das vezes jamais saberá. Teve o caso de um importante empresário da cidade, que achou que estava com uma gripe mais forte, quando testou positivo para covid-19, resolveu testar o resto da família, e adivinha? Todos estavam infectados, assintomáticos. Assim como teve o caso da repórter, que estava fazendo uma reportagem ao vivo sobre os testes rápidos, fez o seu, e adivinha? CONTAMINADA! “Mas eu tomei todos os cuidados!”. Não adianta, as pessoas ainda não entenderam que os médicos e cientistas ainda não dominaram por completo o mecanismo deste vírus, e ele está mutando muito e rápido.

Enquanto isso as mulherada está doida pra despachar os filhos pras escolas criarem, sob o pretexto de terem que voltar a trabalhar. A verdade é que estão enlouquecidas com as crianças em cima delas nestes últimos meses. Querem atenção, não aceitam “não”, ficam entediados facilmente, e o tormento só será resolvido quando elas voltarem a ser problema da escola, e não da família. Aliás, estudar dá trabalho. Tomar conta da criança no EAD dá trabalho. Você fala uma coisa mil vezes e a criança parece que está em outro mundo. Agora as mães sabem o que os professores passam todos os dias, mas continuam empurrando com a barriga, e largando a criança para que a escola que se vire e resolva problemas comportamentais. E se repetir de ano, a culpa é da escola!

E como ficará na volta, se um quiser trocar de máscara com o amiguinho? E se no bullying alguém levar uma cusparada contaminada na cara? Como ficará a responsabilidade da escola em manter crianças afastadas, sem poderem se tocar, trocar brinquedos e materiais? E se algum deles for contaminado, ficar assintomático, contaminar uma família inteira e por ventura algum parente morrer? Quem será responsável e punido? Mas isso não importa: a escola que se vire, a escola que dê um jeito.

Estamos todos cansados, estressados, preocupados, com medo. A prova maior disso é que tudo agora virou motivo de briga física e verbal, protestos com aglomerações que já extrapolaram as carreatas e ganharam marchas à pé pelas ruas, com direito a depredações e pancadarias. Velhos tempos… Parece que voltamos aos anos 80.

Vamos filmar! Vamos brigar! Vamos fugir para ver girassóis!

A humanidade está louca, perdeu faz tempo sua sanidade.

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