Bloggers Bleggers Blum!

Tem dias que eu tô bloggers daí aparece uns bleggers e eu fico blum mesmo!

Afinal, o que as pessoas querem? – Parte 1




dúvida

Desde 1996 observo o comportamento humano na internet. E, confesso, é extremamente confuso. Com o advento das Redes Sociais, então, ficou ainda mais difícil de entender.

Acredito que boa parte do “problema” começou em ter que se escolher um nickname, ou apelido, para se participar dos antecessores das redes sociais: os chats. Se a pessoa não gostasse do próprio nome, ou do apelido que lhe deram, aquele era o momento perfeito de se tornar quem o seu alter-ego realmente desejasse ser. Se feio e gordo, tornaria-se um lindo e esbelto bom partido. Se desempregado bon vivant, tornaria-se um maravilhoso herdeiro, ou dono da própria empresa. Se gay enrustido, nada mais seguro para esconder seu segredo, do que postar com o “sexo trocado”, e se caso fosse pego, era só dizer que estava “zoando”, e pronto! Não era preciso enfrentar nem resolver seus problemas. Quando houve a possibilidade de colocar avatar, então… Aí todo mundo, com auxílio do Photoshop ou não, ficou jovem e bonito.

A invenção e popularização das câmeras digitais fez despertar o instinto exibicionista do ser humano. O que antes dependia dos pais para revelar fotos em câmeras analógicas, no mundo digital eles sequer ficam sabendo das fotos e vídeos íntimos que os filhos fazem, e muitas vezes, disseminam pela rede. E com o surgimento dos Fotologs, a realização das pessoas foi bem mais imediata. Sem necessitar de cursos e contar com a sorte de esbarrar com olheiros de grandes agências de modelos, nem esperar ser contratada por uma revista de nus, o povo não se acanhou e fez e aconteceu, postando fotos e mais fotos de biquíni com bundinha empinada, tomando banho, em posições preferidas com namorados, tudo na comodidade de seu próprio quarto, sem necessidade de grandes cenários, pois o que a luz e o ambiente não ajudavam, o Photoshop corrigia, afinal em qualquer lugar é possível encontrar tutoriais para aprender a mexer no programa. Em conjunto com os Blogs, verdadeiros diários íntimos pipocaram pela rede. Mais tarde, eles dariam lugar às sex tapes. A verdade é que, de repente, menininhas de 10, 12 anos começaram a fazer de tudo para se tornarem web celebridades.

Com o surgimento das redes sociais, a situação degringolou de vez. Na busca por seguidores, a apelação está cada vez mais presente e mais forte. Não basta as selfies cada vez mais íntimas serem reveladas, é preciso expor a sua intimidade ao máximo. Até que tirar fotos depois do sexo virou moda. E, para não se sentir de fora, quem não é precisa se tornar, ou não se sentirá fazendo parte. E é aí que mora o perigo: quem não é, ter que se tornar – pois, acima de tudo, a internet virou um lugar para se ver e ser visto, mesmo que o conteúdo não seja verdadeiro.

Acreditando estarem protegidos atrás das telas de seus computadores, celulares e tablets, muitos perderam sua própria identidade, na ansiedade de criar um personagem que é melhor, mais bonito, com mais sucesso e mais feliz do que os demais indivíduos. Junto com isso veio o efeito contrário: a frustração de ser apenas no plano virtual o que não se consegue ou não se pode ser no plano real. Neste contexto, existe uma dificuldade em se lidar com as frustrações, porque na verdade nem a própria pessoa consegue, em meio à tanta fantasia e à sensação de proteção de sua real identidade e localização, perceber o que realmente está lhe frustando. Então, como lidar com o que não se tem, se sequer se sabe o que se deseja ter de verdade?

Muitos lidam com isso criando falsos perfis na web, seja em Redes Sociais, chats, Fóruns, etc, com a intenção de prejudicar, perturbar, zombar e até denegrir quem quer que seja. No início pode-se até não ter um alvo específico, mas no momento em que percebe um alvo fácil, ou se sente contrariado por alguém, logo desencadeia-se um processo fulminante de se auto afirmar a todo custo. Outros usam seus próprios perfis para atacar à esmo qualquer usuário, de acordo com o seu humor e estado de espírito momentâneo. O fato é que a internet é muito usada como válvula de escape para aliviar o stress, a frustração, a ansiedade e a raiva de si e do mundo.

Na parte 2 deste texto darei alguns exemplos para comprovar meus argumentos.

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