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Ensinar a respeitar é apenas o começo




NÃO AO ESTUPRO

A notícia do estupro coletivo que ocorreu no Rio de Janeiro chocou o Brasil e repercutiu o mundo todo. Muitas discussões sobre o assunto estão repercutindo nas redes sociais. Muitas deles dizem que se não estivesse vestindo a roupa tal, se estivesse na Igreja, se estivesse em casa… isso não teria acontecido. Outras dizem que é importante ensinar os meninos desde criança a respeitar as mulheres.

Como mãe, e de menino, não posso deixar de me manifestar. Não podemos fechar nossos olhos para essa violência, muito menos acreditarmos que ela poderá ser evitada educando apenas os meninos. O abuso sexual masculino existe, e é tão doloroso e devastador quanto o feminino. Ele só é menos noticiado, por vários motivos que não vou citar agora, pois meu enfoque no texto é outro: como educar e preparar nossos filhos e as futuras gerações para não sofrerem, nem cometerem, tal barbárie?

Nas redes sociais pipocaram imagens “ensinando” respeito: se você chegar na menina, pedir para ficar com ela, e ela disser não, você simplesmente diz “ok”, vire as costas e vá embora. Pronto, problema resolvido: você aprendeu a respeitar e ninguém sofrerá nenhum tipo de agressão. Problema resolvido? Absolutamente não! Aliás, este é o maior erro, ao meu ver, dos pais e educadores: achar que simplesmente “deixando pra lá” as coisas se resolverão sozinhas. É importante ensinar a respeitar SIM, mas e como que fica a dor da rejeição? A frustração? O medo de ser chacota na escola? De sofrer deboche dos amigos? É exatamente o fato de não saber lidar com todos esses sentimentos que surge a vontade da vingança, de achar que alguém merece punição pelo que fez, e, dessa forma, justificar os atos de agressão verbal e física.

E é neste momento que os pais precisam ser PAIS DE VERDADE. É preciso saber observar os sinais que indicam que seu filho está sofrendo emocionalmente. Nem todos chegarão para desabafar com você. Primeiro avalie se você é um pai/mãe disponível para seu filho, se você não está sempre ocupado/a, no celular… Observe seu filho/sua filha. Se ele/ela não vier até você, vá até ele/ela e converse. Pergunte o que aconteceu. Mostre que você se preocupa e que quer fazer parte de todos os momentos da vida dele/dela, independente da idade ou fase que se encontra. Diga que é normal se sentir assim, que ninguém gosta de perder, ninguém gosta de ser rejeitado, e que sim, isso dói, mas isso também nos torna fortes. Que ele será rejeitado muitas vezes, mas também não será inúmeras outras vezes. Que sim, ele irá encontrar mulheres esnobes, que só irão querer brincar com seu coração, mas também irá encontrar mulheres verdadeiras. A mesma coisa acontece com as meninas em relação aos meninos. Que os amigos verdadeiros não irão zoar com ele. E que ele deve se afastar ou ignorar quem faz chacota dos outros. E assim por diante. Faça seu filho se sentir amado e forte para superar. Mostre que essa dor é momentânea e que ela será superada, mas ele precisa permitir essa superação. Converse muito, com muito carinho. Mostre que a vingança, a violência, a punição não são a solução.

Em contrapartida, ensine também sua filha a não ficar esnobando os meninos, nem a ficar rindo deles, ou dar “aquele fora”, para se sentirem superiores. Mostre a elas que os meninos também têm sentimentos e que muitas vezes eles precisam de muita coragem para chegar até elas e demonstrar que estão interessados. Que ser rejeitado também dói igualmente nos meninos, assim como dói para as meninas. Que eles também ficam inseguros, tristes, com medo – e para eles é mais difícil, pois têm que se fazer de fortes e não demonstrar para ninguém. Infelizmente, do mesmo jeito que a nossa sociedade cobra certas atitudes das meninas, também cobra dos meninos, sem se lembrarem, muitas vezes, que ambos possuem sentimentos.

Ensinem seus filhos a não ridicularizar os amigos e colegas. Todos sofrem. Todos sentem dor. E os amigos estão ali para ajudar a superar esse momento, e não para ficar rindo deles. Ensine seu filho/a a ter compaixão, a se colocar no lugar do outro e não fazer para ele/a o que não gostaria que fosse feito com ele/a. Isso é tão importante quanto ensinar a ter respeito. O respeito é apenas uma parte do processo.

Imponha limites aos seus filhos. Ensine que não se deve filmar ou tirar fotos das pessoas sem que elas saibam ou permitam. E, principalmente, ensine seus filhos a não se exporem tanto nas redes sociais. Não apenas com fotos e videos sexuais, sejam com consentimento ou não, mas não fiquem demasiadamente expondo o que têm, o que fazem. Isso não só desperta a inveja dos outros, como também afeta a segurança de todos os membros da família, pois existem redes de criminosos especializadas em vasculhar as redes sociais em busca de vitimas. Ensine seu filho/a a importância de se preservar, de preservar quem ele gosta e ama. É normal ter curiosidade sobre sexo, mas que existem limites que precisam ser respeitados.

Não tenha medo nem vergonha de tratar esses assuntos com seus filhos. Se achar necessidade, procure um profissional. Se queremos um mundo melhor para eles, precisamos conversar, instruir, educar, sempre com amor e carinho. O mesmo mundo que é sombrio e perigoso para as meninas também é para os meninos. Ambos precisam de orientação. Seja VOCÊ, pai e mãe, o transformador/a do seu filho, que será também da sociedade e do futuro.

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