Bloggers Bleggers Blum!

Tem dias que eu tô bloggers daí aparece uns bleggers e eu fico blum mesmo!

Um dia como outro qualquer…




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Acordei às 5 horas da manhã, como todos os dias. Não preciso de despertador: o corpo já acostumou a “acordar sozinho” neste horário. Ou talvez tenha sido acordada com o barulho do gatinho querendo entrar em casa. Ele é sempre pontual. E se não deixo ele entrar no horário que ele quer, ele bate tanto na porta, que pode acabar acordando meu marido e meu filho. É, talvez tenha sido isso que tenha me acordado, não sei.

Meu marido precisa dormir, coitado. Ele trabalha duro todos os dias, o dia todo. E não importa o quanto eu peça para ele estabelecer limites com os clientes: ele SEMPRE vai atender as pessoas, no horário que for, no dia que for, mesmo se estivermos no meio do nosso aniversário, de um evento do nosso filho, da janta, do banho… Porque não adianta, cliente de profissional liberal acha que é assim mesmo, que se está pagando é dono da pessoa e ele tem que estar disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. Não importa se esse profissional é um ser humano, tenha uma vida, uma família e o seu momento de descanso: pagou, é dono e fim de papo. É difícil trabalhar com o problema dos outros e ter seus próprios problemas para resolver. Não é justo que ele acorde cedo. Então farei tudo em silêncio, devagar, para que ele possa descansar mais um pouco.

Meu filho, coitado, fui obrigada a mudá-lo de período na escola. Ele sempre acordou cedo, dormiu a tarde toda e agora se viu forçado a ter que estudar à tarde. Isto partiu meu coração. Achei tão injusto! Ele fica cansado, chega em casa mal humorado e com fome. Mas eu preciso fazer tudo em silêncio para que ele durma até o mais tarde possível, para aguentar o baque das atividades da escola.

Abro a porta com cuidado, o gato entra. Preciso sair correndo para fazer xixi. Enquanto estou no banheiro, os outros gatos que estão dentro de casa querem sair porque o outro entrou. Começam a destruir o tapete de borracha do quarto do meu filho, em sinal de protesto. Meu Deus, isso irá acordá-lo! Nem termino de fazer o que precisava fazer, lavo a mão correndo, coloco os dois gatos para fora. A outra gata quer entrar também. A cachorra, que só dorme dentro de casa, resolve que quer sair. Abro a porta para que ela saia. Ela sai latindo. Meu Deus, vai acordar todo mundo! Tento fazê-la se calar de um jeito que não acorde ninguém. Consigo. Ufa!

Mas já são 6 horas da manhã e eu vou tentar me esticar meia hora no sofá, para ver se consigo ter aquele “final de sono”, mas os gatos que saíram querem voltar e os que estão dentro de casa querem sair. Faço a troca dos felinos. Preciso voltar ao banheiro novamente.

Quando saio do banheiro já são 6:30 hrs, preciso dar mamadeira pro meu filho. Por causa da mudança de período na escola, ele passou a tomar apenas uma mamadeira, e como ele tem problema de perda de peso, essa segunda mamadeira com sustagem kids (indicado pela pediatra) poderá fazer falta e ele poderá perder muito peso. Preciso ficar de olho nisso. Dou a mamadeira e encosto a porta do quarto para que ele não acorde cedo demais, ou isso influenciará no seu rendimento na escola.

Aí já são 20 pras 7 da manhã, os gatos estão com fome, miando feito loucos do lado de fora e nervosos pela presença da cachorra, que também está na porta, querendo entrar. Pego a ração dos gatos, abro a porta para a cachorra entrar, distribuo os 23 montinhos de ração – pois cada um quer comer seu próprio montinho, volto pra casa, encho o galão de água, dou água para os gatos, volto pra casa, dou água e comida para a cachorra.

Já são 7 horas e eu tento sentar no sofá novamente, mas preciso ver se não falta nada para o almoço. Mas meu marido levantou mais cedo, pois precisava viajar a trabalho. Sussurrando com ele, para não acordar meu filho, aviso que no dia anterior a escola mandou um aviso na agenda, pedindo para o dia seguinte uma foto da família, que precisávamos tirar uma e eu teria que sair cedo no dia seguinte para mandar revelar.

Antes das 8 da manhã meu marido já havia saído de casa, já havia colocado a cachorra pra fora novamente, pois os gatos já haviam acabado de comer, e alguns gatos que estavam do lado de fora queriam entrar. Feita a troca dos bichos, fui lavar a louça da janta e dos lanchinhos noturnos do meu marido, tirar os panos do varal, que havia lavado no dia anterior e colocar mais roupa pra lavar. Antes, preciso varrer o chão da cozinha e da área de serviço, pois como a cachorra dorme neste local, fica cheio de pêlos. Mas a casa também está com o chão sujo, e eu preciso passar o aspirador.

Coloquei a roupa na máquina, mas antes que eu pudesse colocar o sabão, meu filho acordou. Abro a janela do quarto, vou der o que ele precisa. Sempre tem um estresse quando ele acorda, pois costuma estar de mau humor. Volto para colocar o sabão na máquina e ele me chama para limpá-lo, pois fez xixi. Limpo a criança, o gato quer sair. Abro a porta pro gato, a cachorra entra. Já são 9 horas e eu preciso dar alguma coisa pro meu filho comer. Ele come um bolinho, toma Yakult e faz uma baita sujeira no sofá da sala. Limpo o sofá, mas não consegui ainda passar o aspirador, como eu queria.

Vejo que esqueci meu celular no modo vibrar e quando vou pegá-lo, tinha várias ligações perdidas da minha mãe. Tento falar com ela, mas meu filho fica falando junto, é difícil entender. Já passa das 9:30 hrs e eu preciso começar logo a fazer o almoço, pois meu filho precisa comer às 11:00 hrs. Coloquei o feijão de molho? PUTA QUE PARIU, ESQUECI! Muda o cardápio… Começo a descascar a cebola, meu filho chama para limpá-lo porque ele fez cocô. Limpo a criança, desinfeto as mãos, volto a fazer o almoço, a cachorra quer sair. Solto a cachorra, a máquina de lavar acaba o ciclo. Vou pendurar a roupo ou continuo o almoço? No meio dessa decisão, meu filho quer atenção. E se eu não dou atenção o bicho pega e muito feio em casa. Brinco um pouco com ele, mas ele quer ficar do lado de fora da casa. Coloco a cachorra pra dentro, invento uma brincadeira segura para ele do lado de fora e volto a fazer o almoço.

Ele resolve brincar com os carrinhos na terra preta, entra em casa imundo, pede água pra limpar os carrinhos. Dou tudo o que ele precisa, tento voltar a fazer o almoço. A cada 3 minutos ele aparece de novo, todo sujo e molhado, pedindo mais água pra limpar os carrinhos. Falando em água, preciso dar água para ele. Mas naquele momento ele não quer beber, só quer brincar. Começa a negociação: se eu acertar qual é o copo da vez, talvez eu consiga fazê-lo beber. PUTA QUE PARIU, PRECISO PENDURAR A ROUPA! Coloco pra cozinhar tudo o que precisa ser cozido e vou pendurar a roupa.

Tento tirar o Ângelo da brincadeira, para limpá-lo, para almoçar, mas é complicado. Claro que ele não quer parar de brincar. No meio do escândalo, alguém toca o sino no portão e eu tenho que ligar pra minha mãe ir atender, pois estou ocupada e ela tem problemas auditivos, não escuta o sino. Resolvido isso, volto pro meu filho. Consigo limpá-lo. Tenho que colocar a cachorra pra fora, monto o prato dele, e o coloco para almoçar. O gato quer entrar, pra comer junto. Abro a porta pro gato. Não almoço, não dá tempo. Apenas belisco um pouco da comida enquanto lavo a louça. Preparo a marmita que meu marido levará pro escritório no dia seguinte.

Depois que meu filho come, termino de arrumar a cozinha e começo a preparar a lancheira dele da escola. Escrevo na agenda um recado para a professora. Pego meu filho, escovo os dentes dele, faço ele fazer xixi antes de sair de casa. Me lembrei que nem eu usei o banheiro ou bebi água até aquele momento… Mas não importa: ele está pronto para ir pra escola, eu troco de roupa, solto o gato, prendo a cachorra e sigo para o colégio. Deixo ele lá, volto para casa. Solto a cachorra, o gato volta. Monto uma lista de coisas para fazer:

– verificar com o laboratório o tempo de jejum para os exames que a pediatra pediu há mais de uma semana e que ainda não consegui fazer, pois não está batendo o tempo que ela pediu de jejum com o tempo que o laboratório pediu;
– preciso ir URGENTE no hospital, pois há quase 2 semanas passei uma pedra e ela me machucou muito, chegou a sangrar e eu ainda estou sentindo dor
– preciso marcar dentista para mim
– preciso marcar ginecologista para mim

Mas eu sento para dar uma mexida no celular, pois pipocou mensagem o dia todo e eu não pude ver. Leio uma ou outra notícia, mas logo minha mãe chega e começa a falar um monte de coisas, diversos assuntos. Fico zonza. Já são 15:30 hrs, eu não fiz nada da lista, preciso dar comida pros gatos, tomar banho e logo sair para buscar meu filho na escola. Prendo a cachorra, dou comida pros gatos, dou comida pra cachorra, troco de roupa, pego meu filho na escola, corro para a Fono, pois ele faz terapia uma vez por semana e moramos muito afastado da cidade, demora até chegar lá e o local é horrível pra ter lugar pra estacionar. Chego no consultório, o lugar está apinhado de gente, sem lugar pra sentar. Crianças sentadas e adultos em pé com bebê no colo e os pais nem aí, preferindo mexer no celular. Meu marido nos encontra lá. Eu entro correndo, levo meu filho ao banheiro. Faço isso o mais rápido possível, para não atrasar a sessão. Tinha que fazer duas coisas depois da terapia do meu filho: ir no hospital e tirar a foto que a escola queria para o dia seguinte. Mas a fono resolveu marcar uma “avaliação de emergência” bem no horário da terapia do meu filho, não me avisou disso, e com 15 minutos de atraso eu decidi ir embora. Talvez o paciente fosse morrer se não fosse avaliado naquele instante, que não poderia aguardar depois do horário do último paciente do dia, por isso a fono achou que seria melhor atrasar a agenda toda dela por causa disso – é a única justificativa que encontrei para uma AVALIAÇÃO DE EMERGÊNCIA. Quando estava indo embora, ela apareceu e quis começar a sessão naquela hora, mas até eu ainda tinha que passar no hospital, fazer a foto, fazer a janta… CARAMBA, A JANTA! Meu filho estava cansado, com fome. Não recebi nenhum pedido de desculpas, foi algo do tipo: “eu tinha que fazer isso naquela hora sem impreterivelmente, ou você aceita ou não, se quiser ir embora, tanto faz”. Fui embora puta da vida e muito decepcionada com tal atitude. Minha mãe ligou dizendo que estava armando temporal em casa. Saímos correndo para tentar chegar antes da chuva. Pegamos um trânsito tão pesado, que demoramos quase 40 minutos pra chegar em casa! Claro, a ida ao hospital mais uma vez havia sido adiada e eu continuava com dor… Mandei uma mensagem para a fono, complementando a conversa que não tive com ela. Ela viu a mensagem e nem se deu ao trabalho de responder.

Meru filho já estava berrando de fome, já era quase 7 da noite, eu precisava dar banho nele e fazer a janta! Comi um pão com queijo e peito de peru – minha primeira refeição do dia, enquanto meu marido dava a janta pro meu filho. Já era 8 da noite e eu estava tentando entender alguma coisa na TV, mas meu filho gritava demais que queria “a minha mamãe”. Levantei, escovei os dentes dele, coloquei o pijama e o coloquei para dormir. Era exatamente 8 e meia da noite. Ele estava muito cansado, muito irritado.

Coloco a cachorra pra dentro, coloco o gato pra dentro. Sentei no sofá, meu marido começou começou a contar como foi o dia dele. PUTA QUE PARIU, A FOTO!!! Queria fazer uma nova, bonita… Mas agora já foi, não dá mais tempo. Pego os álbuns e procuro alguma foto nossa. Na era das fotos digitais, quem tem foto impressa num álbum??? Por sorte achei uma antiga, mas tá valendo. Nove horas da noite eu estava tão cansada, que apaguei no sofá. Acordei 11 da noite, com meu marido me chamando para ir dormir na cama.

Abro os olhos e são 5 horas da manhã novamente. Acordei irritada, cansada, triste. Pensei em fazer uma maquiagem, para ver se melhorando a minha auto estima eu conseguiria enfrentar mais um dia. Passei um batom e uma sombra. Me olhei no espelho, não me encontrei na imagem que vi. Cabelo descuidado, aparência cansada, derrotada. Onde estou? Onde está aquela pessoa cheia de vida e de alegria que fui um dia? As lágrimas corriam sem que eu pudesse controlar, pois eu sabia que aquele também seria mais um dia como outro qualquer.

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